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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dor, sem dó


Com a provação do desespero,
Ela decidiu num ato sóbrio
Inaugurar o que estava a tanto tempo guardado.
Num resultado nada proveitoso,
A satisfação não foi seu presente.

O jogo desigual das igualdades,
Sentiu em seus próprios quadris
O peso que carrega por natureza.

Com a graça que acabara de receber
A inversão do valor é desperdiçada
Quando não se carrega a dádiva no próprio ventre.

Tornou-se faminta pela busca da satisfação feminina.
Desenfreada, ela buscava ser  o centro da sua vida.
Jogava em alheios a satisfação do que seria a felicidade.

Com o tempo as manhãs ficaram sem luz
Até que um dia, com um fluxo, jogou no lixo de sua casa
o que encheria seu corpo, alma e coração.

O espetáculo de desgraça.
O infeliz sorriso. 
O esforço de ter que conviver 
com o próprio peso, o merecimento 
de ter que ser assim. 
De ter sentenciado a morte do que seria só seu 
sorriso.



sábado, 13 de outubro de 2012

Quem vai nos proteger?

Vitorioso é aquele que não tem.
Inexiste felicidade nos padrões
impostos.

Tire as mãos de mim.
Conecte nos meus ideais.
Garanto que não vai se arrepender.

Vivemos na igualdade dos desiguais.
Onde toda trilha é em vão.
Se olham no espelho e choram
sem entender o por quê.

Só cede quem tão cedo se deixa hipnotizar.
Acreditam no que veem mas não conhecem
a si mesmos.
Tem medo dos próprios sonhos.

Olham para trás e percebem
que o tempo vivido foi perdido.
Tudo foi firmado na areia.
O gosto se torna extremamente amargo.

E tudo que um dia foi verdadeiro está escondido
Examinam-se arrependidos e emocionados,
pois o que se queria era apenas ser aceito
pelos próprios irmãos de vida.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Perdido em seu caminho

Traiu, amou foi a um cabaret
Ele perdeu o caminho de volta pra casa
O caminho para o seu amor que o esperava de volta
Ele chorou quando estava nos braços de outra.

Quis voltar pra casa,
mas se perdeu no meio do caminho da culpa
Ele chorou quando se encontrou sozinho no beco da rua
Nunca mais voltou

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Irrelevante Alguém

Arrisquei e me arrependi 
não pelo feito, mas pela minha estúpida inocência 
que  prolongou por muito tempo a ilusão em mim.

Volto atrás, faço novos planos 
me frustro por ver as sementes secarem nesta tua terra seca
que um dia teve sede de mim.

Passa os dias, as estações mudam,
mas não se vê mais o sol aquecer os seus  distantes olhos 
que um dia disseram sim para mim.

As noites prolongam, as manhãs são mais curtas
o meu travesseiro se tornou o meu companheiro
o meu melhor ouvinte distanciou de mim.

Casas, Cidades, Corações
Por mais desejos que se possa ter 
tudo um dia acaba, e com irrelevância sei 
que hoje tenho um Fim em mim sem você.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Com ou sem você

Depois de mais uma briga sem motivo algum
Ela foi chorar mais uma vez as lágrimas de arrependimento
Ele foi encontrar refúgio nas noites daqueles que nada possuem
Era um casal que vivia somente um casamento de papel

Uma rotina de ódio e paixão
Ela amava as mentiras que ele contava
Ele sempre a perdoava por nunca ter confiado nele
Cutucavam um ao outro por diversão

Após às seis, eles disputavam qual seria a discussão da vez
Ela fazia questão de remexer o seu passado para provocar o desejável ciúme
Ele admirava os olhares que a sua querida fazia quando contava mais uma mentira
Era um jogo de mágoa e solidão

Em dez de março, ambos perceberam que tinham cansado das rotinas jogadas
Ela não se aquecia mais nos abraços de quem deveria descansar
Ele não sentia mais afeto ao olhar nos olhos verdes deprimidos dela

à meia noite e no vigésimo aniversário de casamento dirão:
Somos apenas mais dois separados na multidão
e ao anoitecer somos cada um por si
mas ao amanhecer voltaremos um para o outro até...